quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Equinócio de Outono



De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboano hemisfério Norte, onde nos situamos, o início de Outono ocorrerá amanhã  pelas 15h21m. Significa isto, pelo menos teoricamente, que teremos amanha um dia que igualará a noite em duração, marcando-se a partir desse momento e até ao equinócio de Inverno a 21 de Dezembro dias cada vez mais pequenos. O que também significa que acordaremos no Verão e nos deitaremos no Outono!

Existem múltiplas razões para assinalar Solstício e Equinócios. Desde que o Homem se atreveu a observar estrelas (30.000, 40.000 anos!??!) que estes factos astronómicos influenciam de forma consciente e marcada as nossas vidas. Claro que poderíamos dizer que são apenas o alibi perfeito para um projecto empresarial mudar de visual aqui e na pagina do Facebook, procurando animar comercialmente a sua actividade. 

Mas não é só por esta ser de facto a melhor altura para semear que escrevemos este post. Quatro vezes por ano repomos em memória para nós mesmos que este planeta, onde aparentemente tudo é igual dia após dia, está mesmo em movimento. Aliás que tudo está em movimento. Circulamos à volta do sol a uma vertiginosa velocidade de 30 Km por segundo; O nosso sistema solar desloca-se ele mesmo sobre o Eixo da Galáxia e esta por sua vez a 500 Km/segundo.

É pois velocidade a mais para dizermos mal das nossas vidas! É que ainda assim, neste planeta e ano após ano, temos a constância dos solstícios e dos Equinócios. E a certeza de que se não for neste, haverá outros Equinócios de Outono para começar a semear e a plantar!

A todos os que nos seguem, os votos de bons recomeços e de boas sementeiras!



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tempo de semear: Novo catálogo de sementes


(https://drive.google.com/open?id=0B9sKCKBDDsItelRJVXZjaGdyV2M)

Depois dos excessos de Verão, os meados de Setembro são sempre tempos de regresso e de  reinício de um novo ciclo. O regresso ás aulas é porventura o mais popular, sobretudo para quem ainda estuda ou tem filhos a estudar, mas para nós é o ciclo mais amplo da Natureza que recomeça.

Com efeito, é a partir desta altura, de dias mornos e luz quente, que se reúnem as condições perfeitas de temperatura, luz e humidade para que a maior parte das sementes germine quase sem esforço e sem necessidade de cuidados especiais.

E se esta é a melhor altura para regressar à terra, é também a melhor altura para nós publicarmos os novos catálogos de sementes autóctone e silvestres. Este ano começamos pelo catálogo de pacotes de flora silvestre, ficando a publicação do catálogo geral de sementes para início de Outubro.

O catálogo que agora divulgamos tem, face ao de 2015, 10 novas espécies da nossa flora silvestre. No total são 50 espécies seleccionadas, entre herbáceas, arbustivas e pequenas árvores, e que para nós fazem parte das espécies mais emblemáticas da nossa flora.

Todas elas ornamentais. Todavia, para facilitar a organização e leitura do catálogo distribuímos-las, por 4 categorias, destacando as espécies de flores comestíveis, as plantas aromáticas, medicinais ou comestíveis das restantes espécies cuja mais-valia é sobretudo ornamental e ecológica. São espécies que, numa perspectiva horticultural, tanto se enquadram no jardim como na Horta.

Para nós, um jardim comestível ou uma horta esteticamente bonita não são realidades incompatíveis!

As 10 novas espécies adicionadas são na sua quase totalidade de espécies cujas sementes dificilmente se encontravam à venda nos locais tradicionais. Algumas como o hipericão, ou Erva de S. João, a Malva-Real ou a Bardana fazem parte do nosso patrimonio etnobotânico e são-lhe reconhecidas diversas aplicações nomeadamente medicinais. Outras, como a Marioila, a Euforbia ou a Erva-gateira são espécies de reconhecido interesse ornamental e ecológico, há muito utilizadas pela jardinagem de outros países europeus.

Esperamos naturalmente que estas novas espécies, assim como o catálogo no seu todo, vão ao encontro das expectativas de todos aqueles que cada vez mais se atrevem a germinar as suas próprias sementes! 

A todos os que nos seguem, os votos de uma boa época de sementeiras!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Amizade


Que muitas plantas têm uma simbologia associada é algo a que já nos referimos, , por várias vezes,  neste blogue. Gostamos dessa perspectiva simbólica, que evidencia as ligações ancestrais que ao longo do tempo o Homem estabeleceu com o mundo que o rodeava, conferindo significado e identidade a "coisas" que até aí a não tinham, sendo indistintas e sem relevância.

O que acima dizemos vale para centenas de plantas, mas é a propósito da hera, hedera helix, que hoje, ainda em férias, voltamos a esta perspectiva. Na Grécia antiga além de consagrada a Dioníso, Deus do vinho, das festas e do êxtase, era a hera que simbolizava a amizade, a fidelidade e o forte apego afectivo!

E essa é a razão principal para que desde o início a tenhamos incluído no nosso catálogo de sementes. Não por ser uma espécie rara da nossa flora - é aliás comum em todo o nosso território, assim como em toda a Europa, norte de África e Ásia, e é fácil de propagar por estaca, mas por ser uma espécie emblemática.

Emblemática e muito ornamental, que pode e deve ter lugar em qualquer jardim.

Ao contrario do que muitos pensam, as heras não são plantas parasitas das árvores que as seguram! Não lhes sugam a seiva nem as levam à morte. São perenes e envolventes como as verdadeiras amizades, não desistem e não hesitam em lançar novas guias provando que, por princípio, a Natureza tem pavor do vazio. De permeio, e se lhes dermos o tempo suficiente para crescerem, proporcionam, entre os seus ramos e folhas, ninho e abrigo para um sem de pequenos pássaros e animais potenciando uma maior biodiversidade.

Ao fim de algum anos, cerca de 12-15, entram na sua fase adulta, florescendo no Outono para, no final do Inverno, frutificarem pequenas bagas pretas-azuladas - as quais, diga-se, constituem um precioso alimento numa das alturas do ano em que ele mais escasseia.

Porém, se não se pretender testemunhar a longevidade desta espécie - que pode facilmente chegar aos 200 anos e mais, pode-se sempre utilizá-la como cobre-solos ou como revestimento de paredes e sebes, a podar com a regularidade que se considerar imprescindível.

Sendo uma planta generosa e envolvente não pede nenhum cuidado por contrapartida, bastando solos frescos, com alguma sombra e é só! 

Explicadas que estão algumas das facetas desta espécie, é mais fácil compreender porque é que fizemos questão em incluí-la no nosso catálogo principal de pacotes de sementes. Pelas inegáveis qualidades ornamentais e ecológicas,  mas também e sobretudo pelo seu simbolismo.

Por nos permitir deambular, sempre que a virmos, no nosso jardim ou noutro sítio qualquer, sobre o porquê de algures no tempo, alguém muito antes de nós, ter reparado na metáfora e considerado que esta era mesmo a espécie que melhor representava esse elo humano, hoje tão desidratado e esvaziado nas redes sociais,  de "amizade e forte apego".

sábado, 6 de agosto de 2016

Tempo de Descansar.. E começar a preparar as próximas sementeiras!


Agosto é mês de férias e para muitos esta é possivelmente a melhor época do ano. Uma época de fruição, noites quentes e brisas frescas ao final do dia. E, claro, de  descanso!

Como muitos dos que nos seguem também iremos aproveitar para tirar alguns dias de férias. A maior parte das nossas colheitas de Verão está feita, e agora enquanto a Natureza passa o que é o seu mês de maior suplício, importa começar a preparar as próximas sementeiras.

Que não estão assim tão distantes. Num ápice estaremos em Setembro e o fim do Verão/início de Outono marcarão o inicio de um novo ciclo - e como tal uma das melhores épocas de sementeiras.

Daí que para nós, e por razões óbvias, esta seja uma boa altura para comprar as sementes que queremos semear daqui a pouco mais de um mês. São cerca de 40 espécies, das mais emblemáticas da nossa flora silvestre, que podem ser adquiridas em mais de 50 locais. Muitos ao longo da nossa costa Atlântica, no Algarve e nos Açores.

Mas não é preciso ir para Sul ou para a praia para encontrar as nossas sementes à venda! Na Guarda, em Mértola ou em Viseu também é possível. E por isso nada como consultar o nosso mapa actualizado das lojas que vendem as sementes de Portugal - Para quem quiser semear ou oferecer, o link é o seguinte: https://www.google.com/maps/d/edit?mid=1D5dzxYcUU28tfy1tKxMB9rjEOoA


terça-feira, 26 de julho de 2016

Planta Lourinhã!



Tão simples quanto isto. Basta enviar até dia 31 de Julho um SMS gratuito para o 4343 com a frase: OPL24 [nº de identidade] [data de nascimento AAAAMMDD] e estamos logo a contribuir para que a flora autóctone prospere no concelho a Lourinhã!

No âmbito do Orçamento Participativo promovido pela autarquia da Lourinhã, uma das propostas a votação é precisamente a de criar um viveiro de  plantas florestais autóctones de Portugal para reflorestação das zonas naturais no concelho (florestas, bosques e matos, entre outros). A iniciativa é liderada pela Vera Ventura uma bióloga com ampla experiência na flora do nosso país, o que nos dá garantias acrescidas de que o projecto pode mesmo chegar a bom porto!

À parte os dinossauros (!) e algumas praias de merecida boa fama a Lourinhã não é propriamente conhecida pelos valores naturais. O que se só se pode explicar por desconhecimento. Além de uma linha de costa bem preservada conta com vários afloramentos calcários cobertos por um bem preservado matagal mediterrânico.

A ideia do Plantar Lourinhã é contribuir para a preservação do património que já existe mas sobretudo contribuir para alargar a sua implantação. Seja na recuperação de espaços e solos - o que é vital considerando a rapidíssima expansão do Eucalipto a que se assiste, mas também na promoção da utilização da flora autóctone nos jardins e espaços públicos.

Se esta proposta ganhar a maioria dos votos na sua categoria, a Lourinhã, já bem conhecida pela inteligente valorização dos achados relacionados com os dinossauros, poderá muito bem também passar a ser conhecida pelo primeiro município da Região Oeste que possui uma estratégia politicamente assumida pela autarquia Local de valorização da sua vegetação autóctone. O que é igualmente inteligente!

A iniciativa Orçamento Participativo da Lourinhã está aberta a todos os cidadão nacionais, pelo que qualquer um que ler esta mensagem pode contribuir para que este viveiro se torne realidade.Mais informações podem ser obtidas AQUI e AQUI!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Assembleias de Julho


Julho já é mês de estio e o número de espécies em floração é francamente menor se comparado com a profusão dos meses de Abril e Maio. Ainda assim existem diversas espécies que neste momento se encontram em franca e generosa floração. Dessas, uma das nossas favoritas é sem dúvida a Iberis procumbens, vulgarmente conhecidas como assembleias.

Dizemos vulgarmente mas com alguma desconfiança, pois na realidade estamos em crer que poucas são as pessoas que realmente estão familiarizadas com esta incrível planta tão fácil de encontrar nas bermas e taludes das estradas atlânticas entre a Figueira da Foz e a Nazaré. Presente em toda a linha litoral até Sagres trata-se de um pequeno arbusto, ou sub-arbusto, perene e habituado a solos arenosos. De Maio a Julho cobre-se de flores brancas ou levemente lilaz, formando tufos totalmente cobertos de flores, aos quais é impossível ficar indiferente.

Tão impossível que entre cerca de 50 espécies que ocorrem no mediterrâneo os ingleses há muito que seleccionaram e apuraram cultivares amplamente utilizados em jardinagem . Apuramento que para nós seria de todo desnecessário, uma vez que no seu estado silvestre reúnem já todos os requisitos para poderem ser profusamente utilizadas na jardinagem pública e privada.

Como costumamos dizer para tantas outras espécies, esta é mais uma que ganharia aos pontos às generalizadas e artificiais petúnias que por esta altura decoram os jardins possíveis de tantas e tantas estâncias balneares da nossa costa atlântica.

Para os mais rigorosos acrescentamos que esta espécie apresenta em Portugal duas subespécies reconhecidas: a subsp. microcarpa, endemismo exclusivamente português e "protegido" pela directiva dos habitats e que usualmente ocorre nos afloramentos calcários do litoral centro de Portugal; e a subsp. procumbens, cujas sementes dispomos em catálogo.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Verão e hipericão em noite de S. João


Sempre que mudamos de estação é nosso hábito ajustar alguns detalhes nas imagens que nos acompanham de forma mais permanente. Não apenas por questões estéticas mas sobretudo por ser a melhor forma de também nós nos recordarmos de que no nosso mundo, queiramos ou não, a mudança é  permanente. Mudanças subtis e ligeiras que se vão somando de forma inexorável.

Tecnicamente o solstício de Verão de 2016 ocorreu na passada segunda-feira pelas 23.30, dia que foi o mais longo do ano. Porém a verdadeira comemoração do solstício, dos dias longos e das noites quentes, ocorre hoje e dentro de algumas horas nas noites de S. João que irão animar as ruas de muitas aldeias, vilas e cidades do nosso país. E porque entre um rigor cientifico e uma festa não temos a menor das dúvidas qual devemos escolher, é agora que assinalamos a mudança de estação!

E assinalamo-la partilhando uma espécie intimamente ligada ao dia de amanhã e que é uma das nossas preferidas: o Hipericão ou... Erva-de-S. João! Uma planta que é central na nossa cultura popular, considerada como medicinal  e com inúmeras aplicações de resultados comprovados, como partilhámos AQUI, há precisamente um ano.

O facto de atingir o seu máximo de floração no mês de Junho talvez esteja na origem do seu nome, sendo que em muitas localidades se acreditava e acredita que o melhor dia para o colher, em que os seus princípios activos estarão no seu vigor máximo, é o dia de amanhã!

Poderíamos alargar-nos sobre todas as razões que justificam ter esta espécie por perto. Porém, além de demorado, o texto de há um ano atrás já o faz. E neste momento o importante é mesmo desejar a todos os que nos seguem uma boa noite de S. João e um bom  Verão!