segunda-feira, 24 de abril de 2017

Um dia vou semear...

Germinação de cravos-vermelhos, cultivar, Dianthus caryophyllus

UM DIA... Ah um dia, vou fazê-lo...., mas,   e se não dá certo,... é melhor esperar mais um bocadinho...tem de se ter calma....e paciência, isto é mesmo assim não é.... e se se morre!?! ....ahhhhrrrr e os mortos o que é que iriam pensar..também não se sabe bem como se se faz... no fundo até estamos bem assim...temos de saber dar o valor ao que temos..., há mesmo muito pior, Olha os outros... MAS UM DIA....ok, daqui  a um ano pensamos nisso, que agora não está bom tempo...será mesmo preciso!?!...devagar que isso acaba por acontecer pelo acaso, ou aparece alguém de certeza que o faz sem darmos por ela... às tantas nem nem vai ser preciso..MAS UM DIA.... UM DIA......UM DIA vou semear....AQUELE FOI O DIA! Há 43 anos! Obrigado!



terça-feira, 18 de abril de 2017

Um dia vou oferecer cravos...


....o próximo dia 25 De Abril será o dia!

E para muitos de nós essa é uma extraordinária tradição que muito simbolicamente repetimos há 43 anos, desde 1974.

Um dia de tal forma fundador, que assinalámos em 20152016. mas que este ano comemoraremos com uma edição especial de sementes de cravos vermelhos.

Apesar de existirem belíssimas espécies do género Dianthus na nossa flora autóctone, são 9 de acordo com o portal FLORA-ON, da Sociedade Portuguesa de Botânica, os cravos  vermelhos que ficaram indissociavelmente ligados a Portugal são de um cultivar, isto é de uma espécie que outrora  existia na Natureza e que ao longo de dezenas de gerações foi sendo domesticada e apurada para produzir flores mais exuberantes e mais perfumadas.

Por regra nós preferimos as singelas flores silvestres nativas, todavia não sendo nós ortodoxos, tomamos como nossas as espécies que se fizeram silvestres e ganharam direitos de cidadania (os acantos, os ciprestes, as olaias ou as capuchinhas são alguns exemplos).  O que vale também para os cultivares, sendo que este, muito em particular, entrou nos genes da nossa identidade. Daí que seja com muita satisfação que este ano nos associamos ao tributo que todos devemos à nossa revolução de 1974.

Por razões incompreensíveis alguns de nós vêm no cravo uma flor partidarizada. Mas não é, nem pode ser visto dessa maneira! É altamente politizada sim, mas ao nível do melhor que podemos almejar. Um símbolo de um acontecimento maior da nossa Historia que de forma única  nos conduziu sem mortos nem guerra à Democracia e à Liberdade: um valor, senão "O valor", fundamental da nossa sociedade.

Um símbolo que por mero acaso  tem a génese num "banal" acto de generosidade da senhora Celeste Caeiro que naquele dia, não tendo mais nada para oferecer aos soldados que se movimentavam nas ruas, deu o que tinha a um deles: um enorme ramo de cravos, que os soldados prontamente distribuíram e colocaram nos canos das espingardas.

Há actos singelos de enormes repercussões! E este é um bom exemplo de como até os maiores eventos podem ter origem  em nano-atitudes. microscópicas, desinteressadas e sem qualquer pretensão de perdurarem para a eternidade. Teria  sido a nossa revolução diferente se Celeste Caeiro não tivesse oferecido cravos naquele dia? Talvez não, porque somos um povo de paz, mas graças a ela e para o mundo inteiro, a flor de Zeus (Dianthus em latim quer dizer isso mesmo) juntou-se ao já nosso já imenso património colectivo e é hoje reconhecido como um símbolo de Portugal!

À senhora Celeste Caeiro, hoje com 83 anos, que há 43 disse que um cravo se oferecia a qualquer pessoa, o nosso obrigado e sincera homenagem!


Nota Final - A nossa edição especial de sementes de cravos vermelhos estará à venda a partir de hoje exclusivamente nas lojas da Vida Portuguesa e da Bairro Arte. Não estará disponível na nossa loja On-line. O 25 de Abril fez-se nas ruas e é nelas que é obrigatório celebrar o dia em que o Povo saiu à rua e pôs termo a uma ditadura de 48 anos. Para que pelo Chiado, Cedofeita, Clérigos, Bairro Alto, Intendente, Alcântara, Cais-do-Sodré possamos voltar a sentir a brisa da liberdade e fraternidade como naquele dia, são os nossos votos!



domingo, 16 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem V


Com a Páscoa a chegar ao fim não queríamos terminá-la sem partilhar mais uma sugestão de jardinagem inspirada por uma das paisagens nossas preferidas!

É um facto que esta é uma sugestão que não está ao alcance de todos, pois será necessário algum espaço, mas se houver alguém que podendo fique com vontade de o fazer depois deste nosso post, já valerá a pena!

As Olaias, que para muitos é apenas nome de bairro de Lisboa, são uma árvore frequentemente utilizada em espaços públicos. Poderemos não a conhecer pelo nome, mas todos nós já passámos certamente por elas e apreciámos,nos princípios da Primavera,  a sua abundante floração cor-de rosa que é prévia ao aparecimento das folhas. 

Os Freixos, outra árvore pela qual passamos com frequência sem conseguir chamá-la pelo nome, povoa as margens de rios e ribeiras de todo o nosso país e é provavelmente a espécie ripícola (para quem não sabe, ripícola refere-se ao que habita nas margens dos rios) de maior porte que temos e as suas qualidades e currículo deveriam dispensar aqui quaisquer apresentações. 

Ambas as espécies são frequentes, os freixos mais em linhas de água e as olaias mais em espaços urbanos, mas quase raramente as vimos juntas. E é juntando a luminosidade do verde das primeiras folhas dos Freixos com a exuberância dos rosas das Olaias que ambas se transcendem proporcionando magníficos efeitos estéticos.

Dissemos raramente, porque por vezes o "acaso" proporciona-nos o encontro das duas espécies. E o médio Tejo, de Abrantes a Santarém, Entroncamento, Torres Novas e arredores estão cheios de galerias ripicolas de Freixos, salgueiros, amieiros e choupos pontuados aqui e ali por Olaias.

Sabendo nós que a Olaia nem é uma espécie autóctone - embora por cá esteja há muitos séculos, possivelmente trazida pelos Romanos do médio-oriente, não deixa de ser curioso tentar perceber quem as ali pôs e com que intenção. Não lhe são conhecidas mais-valias económicas e pela madeira não será, pois é de crescimento lento. Resta-nos a suposição de que foi mesmo pelas necessidades imperiosas de beleza, que até os simples têm, queos agricultores desta região fizeram questão de as juntar aos freixos que bordavam as linhas de água.

Salvo opinião em contrário as Olaias, árvores de médio porte da família das leguminosas denominadas  Cercis siliquastrum, não são invasivas e requerem pouco ou nenhum cuidado. Têm um crescimento lento e preferem solos húmidos, embora também sobrevivam em solos mais secos.

São pois o que poderíamos chamar de "árvores exóticas que ganharam direito de cidadania" tantos são os séculos que por cá andam!

Por fim e porque estamos na Páscoa, uma referência que não é de somenos importância. As Olaias são igualmente conhecidas como sendo a árvore-da-judeia ou árvore-de Judas, por se acreditar que foi numa delas que Judas Iscariotes pôs termo à sua vida depois de se seduzir por 30 moedas prata. A ser verdade, fica evidente a compaixão de quem lhe preservou o nome. Razão talvez pela qual as Olaias sejam ainda e também vulgarmente, conhecidas por.... Árvores-do-Amor!

Para terminar e para desfazer quaisquer duvidas sobre os méritos desta nossa sugestão, um link para um artigo que a Teresa Chambel escreveu há quatro anos no seu blogue Um Jardim para cuidar:AQUI.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sigmetum - O viveiro das plantas autóctones


Quem nos acompanha desde o início do nosso projecto sabe da nossa ligação e colaboração com a Sigmetum, pelo que o que vamos dizer a seguir não é nem novo nem estranho. Mas para os muitos que só mais recentemente nos conhecem, gostaríamos de partilhar o que para nós é um viveiro de plantas, como todos deveriam ser!

É um facto que o nosso país tem mais garden-centers que revendem plantas importadas do que propriamente viveiros com produção nacional, mas daí a pensar que nada se faz e que o que é bom só lá fora vai um passo demasiado largo. A verdade é que também temos projectos de topo ao nível do que melhor se faz no mundo e a Sigmetum é um desses projectos.

Localizada no perímetro da tapada da Ajuda - ISA - Instituto Superior de Agronomia, a Sigmetum é a único empresa que existe no nosso país  que está especializada em plantas autóctones. Direccionada para responder às necessidades de projectos de arquitectura paisagista e de renaturalização, a sua equipa tem apostado sistematicamente na produção de espécies que atá aqui era impossível encontrar no mercado. 

E, para nossa grande satisfação, algumas dessas espécies estão a ser produzidas a partir de sementes por nós fornecidas. Os Rosmaninho-verde (Lavandula viridis), os Samoucos (Myrica faya), os Alfinetes (Centhrantus ruber)  ou as euforbias (Euphorbia segetalis) são algumas delas.

Uma boa parte da razão de ser do nosso projecto é estimular qualquer pessoa a germinar as suas próprias sementes. Mas para todos aqueles que, por uma razão ou por outra, ainda o não pretendem fazer, é hoje perfeitamente possível utilizar plantas nativas já prontas a ir para a terra.

A Sigmetum está aberta ao público em geral todas as quartas-feiras de manhã e visitar o seu viveiro é no mínimo um excelente passeio. A começar pelo facto de se situar num dos espaços mais incríveis e desconhecidos de Lisboa - uma tapada com mais de 100 hectares, em pelo centro da cidade, que se desenvolve em anfiteatro com vistas para o Tejo. Onde, além de bosques e campos de cultivo se podem ver garranos e o magnifico centro de exposições do rei D. Carlos, só para dar alguns exemplos das muitas coisas boas que por lá se podem observar!

Nota - Para entrar de carro no espaço do ISA - Instituto Superior de Agronomia/Tapada da Ajuda,  o que se recomenda dada a dimensão, paga-se 1,5 Euros, um valor simbólico, que a equipa da Sigmetum deduz depois no valor das compras.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem IV


Das muitas falhas que temos há umas mais flagrantes que outras, mas esta era imperdoável! Há mais de 3 anos a publicar sobre espécies da nossa preferência e ainda não tínhamos partilhado uma simples publicação sobre um dos géneros mais ornamentais que temos na nossa flora nativa: As urzes!

A demora tem alguma razão de ser e prendia-se com as dúvidas que tínhamos sobre como recolher e seleccionar as suas (minúsculas) sementes, mas também porque com frequência ouvíamos referir que era extremamente difícil germinar as suas sementes, e que a única solução seria propagá-las por estacaria. Como entretanto as experiências que temos feito nos têm demonstrado precisamente o contrário, sendo até relativamente fácil obter urzes por sementeira, arriscamos-nos agora a incentivar a sua utilização em jardinagem.

Sugestão que, refira-se, nada tem de inovador. Quando chega o Outono, os nossos garden-center enchem-se de cultivares de urzes, provenientes de viveiros especializados, e que enchem o olho de toda a gente! Mas como entre cópias e originais preferimos quase sempre os últimos, não há razão nenhuma para não utilizar duas das espécies autóctones mais vistosas que temos: a Erica lusitanica, branca e regra geral conhecida como Urze, e a Erica australis, normalmente conhecida por Urze-vermelha (embora as suas flores sejam de cor rosa!).

Ambas as espécies são arbustivas, alcançando facilmente os 2 metros de altura, e a partir de fins de Janeiro até meados de Abril cobrem-se, literalmente, de milhares pequenas flores em forma de campânulas. Para satisfação das abelhas que as polinizam mas às quais é impossível ficar indiferente pela inequívoca beleza do efeito estético que proporcionam.

Embora na Natureza não surjam juntas, nada impede que o façamos em jardinagem beneficiando dos seus contrastes cromáticos. Em regra preferem solos ácidos ou siliciosos (arenosos, por exemplo) mas pelo que observamos não é requisito essencial. Preferem isso sim solos frescos e que retenham humidade durante grande parte do ano, se possível com sombra e virados a Norte (o que serve sobretudo para a E. lusitanica). A E. australis, tolera melhor a exposição solar mas também não é forçoso que assim seja.

Uma palavra final para a família destas duas espécies, as Ericácias, e à qual pertencem os Medronheiros (Arbutus unedo), as Camarinhas (Corema album) e os populares mirtilios. Para além de outras espécies vulgarmente conhecidas como urzes, como partilhou há cerca de dois anos a Fernanda Nascimento no seu blogue Flores do Areal - AQUI - e cuja leitura recomendamos!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sugestões de Jardinagem III


Se na nossa última sugestão enaltecíamos a sobriedade da floração do Adernos-de-folhas-estreitas e dos Sanguinhos das sebes, contrapomos hoje duas outras espécies, essenciais a ter em qualquer jardim que privilegie a flora nativa, que primam pela generosa e longa floração.

Os Folhados (Viburnum tinus) e os Pilriteiros, ou espinheiros (Crataegus monogyna) são espécies perfeitamente adaptadas a todo o nosso território nacional e não necessitam de qualquer cuidado especial. Claro que não dizem que não a solos mais frescos, mas mesmo em solos secos e nos Verões mais rigorosos são perfeitamente capazes de sobreviver.

Como características principais salientamos a demorada floração dos Folhados - praticamente desde meados de Janeiro até ao fim de Abril - e menos demorada mas mais intensa floração dos Pilriteiros durante o mês de Abril e que faz desta árvore média rivalizar com as árvores geralmente utilizadas para esse fim como as cerejeiras ou as ameixoeiras utilizados em jardinagem.

Porém a sua segunda época de glória, no Outono, não fica nada atrás da primeira. Uma abundante floração significa regra geral uma generosa produção de frutos e é isso que estas espécies oferecem á auvifauna que se quiser abeirar do jardim, como referíamos AQUI há 3 anos e meio. Além de  que são inequivocamente estéticos - um Pilriteiro, já despido de folhagem, e carregado de frutos vermelhos é um postal de Natal em qualquer parte do nosso país, e o azul-metálico das bagas dos folhados não o são menos.

Por fim e para dissipar as dúvidas aos que apenas vão lá pelo estômago, um argumento final: Os frutos do Pilriteiro, possuem uma polpa comestível que há 2000 anos os romanos já transformavam em marmeladas! São pois qualidades a mais para que ainda seja uma espécie mal-amada dos nossos campos onde para muitos não passa ainda de uma desprezível espinheira, numa miopia nada fácil de explicar!

domingo, 9 de abril de 2017

Domingo de Ramos 2017


A primeira quinzena de Abril é regra geral uma boa semana para jardinar, mas  quando a mesma coincide com a Páscoa e se tem a sorte de ter uma semana de férias, então é certo e garantido que se terá uma semana perfeita!

Em sentido lato, ocuparmos-nos dos jardim, de plantas ou de flores vai muito além das opções eminentemente estéticas. Não é obrigatório, mas se não tivermos dificuldade em perceber o valor simbólico de quase tudo o que nos rodeia, então o exercício sai claramente beneficiado.

Vem isto a propósito de hoje ser o Domingo de Ramos, uma data especial para todos os cristãos e que marca o início da semana-santa e das celebrações pascais que culminarão no próximo Domingo de Páscoa. É verdade que para alguns isto é tema que só interessa a católicos praticantes, porém mesmo que nos tenhamos expurgado de todas as práticas, continua a existir em nós, enquanto sociedade de matriz judaico-cristã, uma dimensão espiritual que é inerente à nossa própria humanidade.

O Domingo de Ramos, a par do Dia das Maias e do Dia da Espiga, é um desses dias que gostamos de assinalar. Por fazerem parte do nosso património imaterial mas sobretudo pelo seu forte e perfeitamente actual simbolismo. Como referimos AQUI, há cerca de dois anos, assinala a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, recebido por uma multidão em euforia que o acolheu como um rei, com palmas e ramos de oliveira. Os trágicos eventos que se seguiram a esta festiva recepção são conhecidos de todos nós e mudaram irreversivelmente o curso da historia da humanidade nos 2000 anos seguintes e demonstram que naquela altura, como agora,  se pode passar de bestial a besta com sem grande dificuldade. Alguns dias mais tarde e devidamente manipulada, a mesma multidão que o acompanhou pelas ruas em festa, exigiu sem qualquer dúvida a sua crucificação!

Qualquer semelhança com os dias de hoje será naturalmente pura coincidência, mas  são demasiadas as leituras que podem ser recolhidos dos factos para que se deixe passar o dia em vão, apenas porque não se é católico dito praticante!

Dai que, mesmo que não se tenha intenção de participar em nenhum procissão de ramos, das muitas que hoje se realizaram por todo o país, valha sempre a pena constituir um ramo. Não há propriamente uma lista fechada de quais as espécies que o devem integrar e, além dos ramos de Oliveira, Alecrim e Rosmaninho, para nós essenciais, quaisquer outras flores podem entrar na composição e o gosto com que se fizer determina que fique abençoado. Neste juntámos tremoço-amarelo (Lupinus luteus), bocas-de-lobo (Antirrhinum cirrhigerum) cristas-de-galo (Gladiolus italicus) e erva-das-sete sangrias (Lithodora prostrata).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem II


Nem só de flores vistosas se faz uma Primavera, e nesta matéria a Natureza também nos dá vários exemplos de que é possível fazer as coisas com alguma discrição! E com efeito, são diversas as espécies de plantas cujas flores não correspondem ao standard expectável das "enormes pétalas e cores fulgurantes" que os garden-centers tanto nos ensinaram a gostar. Os carvalhos ou os castanheiros são um bom exemplo de floração "pouco convencional", mas há outras que exibem flores tão minúsculas e discretas que custa a acreditar que seja mesmo por ali que aquele ser-vivo se reproduz. 

O Sanguinho-das-sebes (Rhamnus alaternus, fotos da esquerda) e o Aderno-de-folhas-estreitas (Phillyrea angustifolia, fotos da direita) são duas dessas espécies e que colhem a nossa preferência, depois das Roselhas e das Pascoinhas do nosso último post.

Além de se encontrarem em floração desde o fim de Fevereiro, são duas espécies que poderíamos considerar como essenciais em qualquer jardim que se queira ecologicamente mais rico e sustentável. 

Além de muito pouco exigentes em matéria de água, uma vez que estão perfeitamente adaptados aos longos períodos sem chuva dos nossos Verões, são duas espécies arbustivas ideais para que um jardim tenha aqui e ali tão necessária e rara sobriedade que muitas vezes nos falha. Sempre verdes e de folhagem abundante durante todo o ano, ajudam em sebes ou pequenos aglomerados, a evitar o erro do excesso, que é e fazer um jardim só de flores.

Mas fazem mais, muito mais, de forma discreta e sem alardes! No início do Verão os Sanguinhos-das-sebes e, mais tarde, no fim de Setembro e Outono, os Adernos, frutificam abundantemente proporcionando alimento a morcegos e pequenos pássaros numa altura em que ele já escasseia e que em troca lhe agradecem dispersando as suas sementes!

E se isto já é muito, os sanguinhos-das-sebes fazem o pleno durante toda a Primavera, rindo-se baixinho de quem escarneceu das suas flores minúsculas: é que as larvas das Cleópatras, Gonepteryx cleopatra, de um verde-limão que tanto nos delicia o olhar, alimentam-se exclusivamente das suas folhas. E sem estas não seria simplesmente possível ter por perto esta espécies de borboleta, seguramente uma das mais bonitas que por cá habitam.

Dito isto,terminamos com o que é já evidente para todos o que chegaram até aqui: nada é por acaso e há um claro evidente propósito moral na Natureza quando apurou estas espécies. E mais não fosse, só por isso, já valeria a pena ter estas plantas por perto. Para nos lembrarem do que, despojado de vaidade, prescinde da exuberância das magnificas flores para mais tarde se transcender silenciosamente em delicadas e graciosas flores que voam!





Nota Final - Os aspectos que acima referimos são para nós os essenciais mas há muitos outros que vale a pena aprofundar. A começar pela sexualidade particular de ambas: Os Sanguinhos-das-sebes são uma espécie dioica e os Adernos-defolha-estreita uma espécie androdioica. o que é relativamente raro nos conjunto das plantas com flor (as angiospermicas, e que são a maioria das plantas que nos rodeiam). O tema é tão vasto e nós somos tão ignorantes na  matéria que nem nos atrevemos a entrar aqui no tema! Mas para quem quiser saber mais sobre estas duas espécies sugerimos vivamente  a leitura dos dois completos artigos que a Fernanda Nascimento escreveu há três anos no seu blogue Flores do Areal: AQUI AQUI!

Nota final II - Uma curiosidade: O nome vulgar da espécie Rhamnus alaternus, Sanguinho-das-sebes, deve-se ao sumo das suas bagas, de cor tinta, o qual durante séculos foi utilizado em tinturaria.

domingo, 2 de abril de 2017

Sugestões de Jardinagem I


 

Fazer sugestões de jardinagem no fim de alguns dias primaveris é, ao contrário do que possa parecer, tarefa ingrata. Para começar, e por muito que vender sementes deva ser o nosso foco, a nossa primeira recomendação para esta altura do ano é mesmo a de usufruir o início da estação onde a Natureza é mais exuberante: Isto é no meio dos muitos e bons espaços naturais de que o nosso país está cheio. seja sozinho ou acompanhado, nas montanhas ou na costa, em percursos ou actividades de família, a tirar fotos ou simples passeio. O importante é usufruir e constatar com gratidão que as plantas que nos rodeiam longe de serem uma massa verde disforme e sem nome, são seres a pulsar de vida!

Depois e para aqueles que têm o privilégio de ter uma varanda, um quintal ou um jardim, inspirados pelo que viram, há todo um sem número de  boas sugestões que  se podem fazer! Dizemos que é tarefa ingrata porque entre tantas possibilidades, temos dificuldade em escolher. Mas também porque nos dias de hoje habituámos-nos, erradamente, à ideia de que só é compensador jardinar se tiver já flores vistosas e prontas a colocar na terra. Sucede que esta forma rápida de satisfação nem sempre é, no médio e longo-prazo, a mais compensadora forma de abordar o tema. 

Estamos em boa época de usufruir das Primaveras, mas das já semeadas! O que agora podemos fazer é começar já a trabalhar na próxima Primavera, aproveitando as boas condições para a germinação de sementes. Semear nesta altura, sobretudo em ambiente controlado (i.e. que podemos acompanhar e regar) tem a grande vantagem de podermos fazer crescer nos próximos 6 meses as árvores e arbustos que queremos colocar na terra no próximo Outono.

Dito isto, as sugestões.

Temos várias, algumas pouco ortodoxas, mas para não espantar desde já eventuais leitores, começamos por uma de flores mais vistosas, de que é difícil não gostar. E neste capítulo há uma associação incontornável, para nós uma das mais felizes e de resultados assegurados: Roselhas e Pascoinhas. Duas espécies que desde sempre nos entusiasmaram e sobre as quais já publicámos diversas vezes no passado ( AQUI e AQUI).

Além de serem muito fáceis de germinar, ambas as espécies são pouco exigentes, não necessitam de qualquer rega e adaptam-se a diferentes tipos de solos, embora se deva dizer que não apreciam solos demasiado frescos e ácidos. Têm a grande vantagem de proporcionarem uma abundante floração que se inicia em Março e se prolonga pelo mês de Abril, entrando frequentemente pelo mês de Maio. Acrescentamos ainda o facto de disporem de folhagens igualmente interessantes, o que, sobretudo para a Roselha-grande, é ainda mais verdade, atendendo à cor verde-cinzento das suas folhas, que contrastam bem com outras cores!





segunda-feira, 20 de março de 2017

Primavera no Dia Internacional da Felicidade!


Desde as 10h29m de hoje, dia 20 de Março, que estamos oficialmente na Primavera. É certo que com mais frio e menos sol do que o que tivemos nas últimas semanas, mas no hemisfério norte do nosso planeta, astronomicamente falando, o equinócio da Primavera - o momento em que a duração do dia iguala da noite, aconteceu nesse preciso momento.

Curiosamente, o nosso primeiro dia de Primavera coincide este ano com o Dia Internacional da Felicidade, dia 20 de Março,  definido em 2012 pelas Nações Unidas, como o melhor momento para nos relembrar a todos que a "a busca busca da felicidade é um dos objectivos fundamentais do ser humano”. Há, como sabemos, dias para tudo e este nem nos tinha passado pela cabeça que fosse importante assinalar, mas reconhecemos que o dia é bem escolhido - Muito embora para quem viva no hemisfério Sul fique antes associado ao Outono, o que não sendo uma estação propriamente triste, está longe de acompanhar a ideia geralmente aceite de alegria.

Questiúnculas à parte, o relevante é que faz todo o sentido assinalar o que para muitos de nós é a estação  mais feliz do ano. Se associarmos isso à necessidade de, na linha do indicador da "Felicidade Bruta Nacional" medido pelo Butão desde 1972, prosseguirmos "uma abordagem mais inclusiva e equilibrada ao crescimento económico que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”, tanto melhor! Até porque também para nós é inquestionável que felicidade pressupõe estarmos em harmonia com todos os elementos que nos rodeiam e que fazem deste planeta a nossa casa-comum.

Os próximos 92 dias, até ao dia 21 de Junho - dia em que ocorrerá  o solstício de Verão, são dias propícios para semear e sobretudo para usufruir da generosidade da Natureza. Dias cada vez mais longos que começam agora ligeiramente mais frios, em tons de verde, com muitas plantas já em flor, mas que irão em crescendo de exuberância, temperatura e cor até aos máximos dos meses de Maio e Junho!

Na realidade a Primavera não é toda igual e não poderia ser de outra forma. Em cada dia que passa, percorremos cerca de 2 milhões 580 mil quilómetros na nossa órbita em torno do sol. Podemos não nos aperceber da velocidade, nem sequer ter justificadas vertigens, mas indirectamente e dia após dia, percebemos que isto não pode estar parado!

E como gostamos dessa percepção, também nós mudamos a nossa capa e cor dominante. Desta vez para os múltiplos tons de verde esperança que por todo o lado emergem nas jovens folhas que agora rebentam. Apreciamos todos sem excepção, mas os que por esta altura se observam nas galerias ripículas, lagoas e paúis do nosso país enchem-nos de genuína felicidade. Como os da imagem acima, onde freixos, salgueiros, amieiros e tantas outras espécies que habitam o paúl de Arzila - Coimbra, se desdobram em outras tantas tonalidades de verde!

A todos os que nos seguem, os votos de Feliz Primavera ou se preferirem, os votos de boa viagem para os próximos 236.256.000 Km que iremos percorrer.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Germinar é possível!?!?


Sim é! E para nós esta é mesmo uma das ideias-chave do nosso projecto. Germinar, contrariamente ao que muitos possam pensar, não é de todo uma ciência esotérica e está ao alcance de qualquer um de nós observar a vida de uma planta, seja ela uma árvore, um arbusto ou uma flor,  a despontar!

É certo que algumas espécies exigem alguns truques, mas a grande maioria da nossa flora desenvolveu uma sofisticada tecnologia de reprodução que à primeira oportunidade dá início ao seu ciclo de vida: Luz, temperatura a rondar os 16º - 20º C e humidade q.b. são na maior parte dos casos os únicos requisitos.

Claro que quando nos queremos iniciar nas artes da germinação os aspectos logísticos e práticos são importantes e hoje em dia, quando a maior parte de nós vive em meios urbanos e dispõe de casas mais pequenas, a forma como o podemos fazer é muito relevante.

Foi a pensar nas muitas pessoas que querem germinar sementes de forma económica e o mais eficaz possível, que concebemos os nossos Kits de germinação. Contendo alvéolos e tabuleiros de germinação, acompanhados da quantidade exclusivamente necessária de substrato, perlite e fibra de o coco, deixará de ser necessário despender um valor significativo a adquirir materiais dos quais acabaríamos por só utilizar uma pequena parte. Além do valor gasto era muitas vezes a sensação de desperdício que nos desmotivava a experimentar!

Agora que nos aproximamos do fim do Inverno e a Primavera está aí à porta, voltam a estar reunidas as condições perfeitas para fazer nascer sementes. É certo que preferimos o Outono para o fazer mas é nesta altura, em que a Natureza nos brinda com máximos de floração, que nos é mais fácil identificar as plantas que gostaríamos de ter ao pé de nós! as estevas, as pascoinhas, as roselhas e tantos outros arbustos que a partir de agora começam a florir nas nossas paisagens são apenas algumas das muitas espécies que nos podem inspirar!

É verdade que o que semearmos hoje só florirá na próxima Primavera de 2018! Mas é por aqui que podemos ter o privilégio de começar a tomar nota dos ciclos do nosso planeta!

Para todos aqueles que decidirem que SEMEAR é agora mesmo! disponibilizamos na nossa loja Online 3 kits diferentes. Desde vasos em fibra-de coco aos tabuleiros com 24 alvéolos. Com tudo o que é necessário e sementes incluídas! Aqui:

www.sementesdeportugal.pt/loja


PS - Alguns de nós ficam tentados a pensar que será mais fácil ir ao campo e tentar arrancar para posteriormente transplantar nos seus jardim, as plantas da sua eleição. É compreensível, pois frequentemente a exuberância da floração que observamos é tal que queremos aquele arbusto de imediato! Mas essa é uma hipótese totalmente desaconselhada por nós. Além de desfigurarmos o que já estava bem, dificilmente as plantas transplantadas nesta estação do ano sobrevivem. Por muitas raízes que se consigamos trazer, toda a energia da planta está nos seus ramos e flores pelo que o enraizamento não será bem sucedido e o que era um belo arbusto ao alcance de todos, acabará por morrer!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Recapitulando: Porque é que as plantas são (mesmo) importantes!





Apesar de tecnicamente estarmos no Inverno, os dias primaveris que temos tido anunciam que a mudança de estação já está para breve. É possível que ainda tenhamos mais alguns dias de Inverno, provavelmente a entrarem pela Primavera adentro, mas o ritmo de translação do planeta a 30 Km por segundo é inexorável e a época de maior glória para a vida na nossa latitude estárá aí para ser usufruída nos próximos meses!

Este é pois um bom momento par voltar a partilhar um pequeno video que publicámos AQUI pela primeira vez há dois anos. Está em inglês, mas para quem não estiver à vontade também não será difícil perceber o seu sentido geral.

E o sentido é ajudar a compreender porque é que as plantas que nos rodeiam  são mesmo importantes para nós enquanto seres vivos habitantes deste planeta. É possível que para alguns gostar de árvores, plantas e flores seja um gosto quase bizarro e de reduzido interesse, chegando a desconfiar se tais "coisas" vegetais entram na categoria de seres vivos. 

Mas entram! E entram há pelo menos 3 600 milhões de anos que é a altura em que se estima ter começado a existir vida no nosso planeta.  Vida complexa que tem nos reinos das Plantas e dos Animais a sua expressão mais visível para nós. (Sendo certo que não a esgota, os 3 outros reinos são os dos Fungos; das Algas Unicelulares e o das Bactérias).

Para nós o interesse sobre a flora, apesar de circunscrito à flora silvestre de Portugal, é vasto. Mas a sua importância é evidentemente muito superior à que nos ocupa por muito que frequentemente nos dispersemos por um sem número de vertentes.

Além de nos proporcionarem a nós humanos um sem número de utilidades, são as plantas que estão na base da vida complexa que observamos. Presenteiam-nos com beleza inexcedível e produzem o oxigénio que respiramos. Mas mais do que isso, dos princípios activos para medicamentos, da madeira e até dos combustíveis fosseis,  são a tecnologia mais sofisticada que alguma vez poderemos desejar possuir para processar e transformar a energia do sol em infindáveis formas de energia aptas a animar de vida milhões de espécies animais. São as plantas que estão na base de todos os ecossistemas de vida.

E só isto, sendo que isto é tudo!, era suficiente para nos maravilharmos com a extrema sorte que temos em partilhar este planeta com as tantas formas de vida que nos Reinos das Plantas e dos Animais nele evoluíram até à forma actual!

A todos os que, incríveis reconfigurações de poeira estelar animada de vida, chegaram até estas linhas, os nossos votos de uma magnifica Primavera!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cacela Velha, um Jardim autóctone e o Dia Internacional da Mulher


Se há meses em que não partilhamos mais do que uma publicação, também há dias em que temos muita e boa matéria para escrever várias. Hoje é um desses dias. Depois de um jardim autóctone em Silves, partilhamos um Jardim representativo da Flora do Algarve que tivemos o privilégio de visitar no passado Domingo.

Cacela-Velha, pendurada sobre a Ria Formosa, no concelho de Vila Real de Santo António, deveria dispensar apresentações. É um daqueles locais mais preservados pelo abandono, pelos regulamentos de protecção do parque natural e recente crise imobiliária do que propriamente por uma vontade clara e estratégica dos homens de fazer daquele lugar o sitio glorioso que realmente é.

Dir-nos-ão que assim, com um aspecto negligé, Cacela-velha ainda tem mais charme. Eventualmente. Mas é preciso ter os olhos muito rasteiros para não perceber o que aquele pedaço de terra poderia ser se fosse mais amado. Se aquela ribeira, hoje infestada de canas, e aquelas margens que desaguam na ria, cobertas por um incrível piornal fossem realmente valorizadas. Cacela poderia tornar-se o ex-libris do Sotavento Algarvio. Arriscamos mesmo: Poderia ser o expoente que lavaria a honra manchada pelos muitos disparates de ordenamento do território ali cometidos no passado. E Vila Real de Santo António tem tudo para ver isto de forma muito clara.

É que não está sozinha. Tem a Associação de Defesa do Património de Cacela e uma mulher, a artista plástica Teresa Patrício, que nos últimos anos já provaram o que se pode fazer quando há amor numa terra. O Jardim representativo da flora do Algarve, na várzea de Cacela, construído em terrenos que são propriedade da autarquia e que estariam condenados a serem terreiro de estacionamento nos meses de Verão, é já hoje um excelente espaço de fruição de Cacela e da flora silvestre que por ali ocorre. Merece ser visitado e sobretudo merece ser acarinhado e feito crescer.

Como referíamos acima, ao lado do jardim e no alcance das suas vistas estende-se um dos piornais mais bonitos que conhecemos. Pontuado aqui e ali por uma das espécies arbustivas da flora algarvia mais incompreensivelmente desconhecida da jardinagem da região: O anágiris -  Anagyris foetida, uma espécie leguminosa cujo máximo de floração ocorre no Inverno. 

A Teresa Patrício é para nós a guardiã deste jardim representativo e em Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora, materializamos nela a nossa homenagem a todas as mulheres! E o nosso Obrigado. A si e a tantas outras mulheres que por todo o mundo se dedicam em inúmeros projectos e causas a fazer da nossa casa-comum um sítio melhor para todos. Como as mais de 350 que nos últimos 15 anos foram homenageadas pela Fundação Yves Rocher com o prémio Terre des Femmes, e que há dois anos premiou a nossa conterrânea Milene de Matos e o seu projecto de preservação da Mata do Buçaco

Que nesta terra não existam pessoas a quem esteja vedado desenvolver o seu potencial pelo facto  de serem mulheres são, também, óbvia  e evidentemente, os nossos votos!

Um jardim autóctone em Silves


Como bem lembra um popular ditado indiano, "Pão comido é o primeiro a ser esquecido" e também nós, apenas quatro dias depois da feira de jardinagem na Quinta da figueirinha, em Silves, já corríamos o risco de não partilhar algumas das imagens do dia de Sábado.

O que seria evidentemente um egoísmo, para além de um erro. Num fim de semana que se previa chuvoso e cinzento, a feira de jardinagem foi presenteada com um magnifico dia de sol que, juntamente com a boa afluência de visitantes, fez desta edição mais uma excelente oportunidade para todos aqueles que se dedicam à jardinagem e à horticultura.

Para nós um dos momentos mais relevantes foi como é claro a inauguração do jardim autóctone do barrocal algarvio. Situado no topo de uma das colinas da Quinta da Figueirinha este espaço é o resultado do trabalho e empenho dos membros da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal que de forma totalmente voluntária provam que um jardim pode ser atractivo e aprazível apenas com o recurso à flora silvestre da região. 

A localização, o sistema de vistas sobre a propriedade - a Quinta da figueirinha, e o bom desenho dos caminhos garantem que este será um excelente jardim a visitar nos próximos anos, à medida que for amadurecendo e consolidando-se!

Para terminar partilhamos algumas fotos da flora silvestre que no Algarve já anunciam de forma exuberante que ali a Primavera chega sempre mais cedo. Cerros cobertos do amarelo das pascoinhas (Coronilla glauca) e das chuvadas brancas dos Piornos em máximo de floração (Retama monoesperma) já se vislumbram por todo o lado. Mas é nos pequenos detalhes e junto aos pés que estão já a florir algumas das espécies mais interessantes: Da esquerda para a direita: em tons rosa, as cornucopias, ou alfaces-de-argel, Fedia cornucopiae; em azul-lilaz os maios-pequenos, ou pés-de-burro, Gynandriris sisyrinchium; e de branco os narcisos-de-inverno, Narcissus papyraceus.



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Feira de Jardinagem de Primavera




Vai decorrer já no próximo fim de semana, Sábado dia 4 de Março, entre as 11.00 e as 16.00, em Silves na Quinta da Figueirinha, a Feira de Jardinagem de Primavera da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal, este ano dedicada  ao tema dos Jardins comestíveis.

No nosso país existem tão poucas feiras de jardinagem que qualquer uma merece ser destacada, mas esta, à semelhança de todas as anteriores edições, apresenta motivos acrescidos para ser visitada.

Desde logo por se realizar na Quinta da Figueirinha, um quinta de agricultura biológica e espaço de Turismo Rural que os seus proprietários,  Gerhard Zabel and Uta Zabel, têm vindo a fazer crescer desde 1988 e que além de pomares conta com diversos jardins temáticos.

Esta edição de Primavera terá a presença de 11 viveiristas, 6 dos quais novos, e tem previstas diversas palestras das quais destacamos a de Jean-Paul Brigand sobre fruteiras e a de Fernanda Botelho  sobre Ervas aromáticas e medicinais do nosso país, 

Um outro momento alto será certamente a inauguração do jardim botânico de flora autóctone do Barrocal Algarvio, o qual tem ocupado intensamente a Associação nos últimos meses. Na proxima semana contamos partilhar detalhes sobre este projecto!

Por fim a referência que as nossas sementes estarão disponíveis, a preços especiais de feira, como habitualmente na banca dos livros da MGA.

O programa completo pode ser consultado AQUI e a forma de lá chegar AQUI.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Medronheiro


Tendo por mote o que partilhámos no nosso último post, de Raduar Nassan, aqui está um bom exemplo de uma espécie que não pode ser semeada a pensar exclusivamente nos frutos. A recompensa vem muito antes deles e o prazer  que se obtém a fazer germinar e crescer um medronheiro já é, por si só, impagável!

De qualquer das formas não há outra hipótese de os obter, pelo que a desejá-los o melhor é começar o quanto antes e esperar pacientemente pela 6 a 10 anos que esta pequena àrvore demorará a dar os primeiros frutos.

Da família das Ericaceas, a mesma das urzes e das camarinhas, o medronheiro é possivelmente a árvore de pequeno porte mais emblemática do nosso país podendo ser encontrada de Norte a Sul tanto nas regiões de clima mediterrânico como de influência mais Atlântica. Tem preferência por solos frescos e com alguma profundidade e é relativamente fácil encontrá-los em bosques nativos de sobreiros, carvalhos ou simplesmente de matos mediterrânicos.

Hoje o interesse sobre esta espécie é redobrado -  não só pelos frutos para consumo, frescos e desidratados, mas também pela mais valia económica da  aguardente produzida  a partir da sua fermentação, mas a sua utilização é ancestral e faz parte do património etnobotânico de um sem numero de localidades e regiões de Portugal.

A titulo de exemplo no que respeita ás utilizações medicinais referimos a infusão das suas raízes utilizada no tratamento de doenças venéreas como a Sifilis. Porém são muitas mais as suas indicações como refere AQUI  a Fernanda Botelho que nos lembra que "ainda hoje se utiliza para tratar infecções do aparelho urinário, pois tem uma acção bastante adstringente e anti-séptica sobre as vias urinárias, tornando-se útil em casos de cistites e uterites, mas também limpeza do sangue, diarreias, desinteria, para infecções da boca e da garganta, gargarejar com uma infusão feita com as folhas frescas ou secas."

Mas se fazer compotas, produzir aguardente e utilizar medicinalmente já são motivos mais do que suficientes para ter um medronheiro por perto, o seu lado estético e o facto de ajudar na criação de um ecossistema mais composto no jardim, fazem do Medronheiro uma das espécies essenciais da nossa flora.

E é tanto assim que garantimos a boa capacidade germinativa das sementes que comercializamos. Uma garantia que comporta inúmeros riscos mas que é amplamente compensada pela recompensa de ajudar todos aqueles que o pretendem a germinar pelos seus próprios meios os medronheiros que um dia gostarão de ver ao pé de si!

Na nossa loja on-line disponibilizamos mais informação sobre esta incrível espécie da nossa flora nativa: https://sementesdeportugal.pt/loja/medronheiro/



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Prémio Camões 2016 - Raduan Nassar



Raduan Nassar, Prémio Camões 2016

Não fossemos nós totalmente ignorantes e já em 31 de Maio deste ano tínhamos publicado sobre a atribuição a Raduan Nassar do prémio Camões 2016, o mais importante galardão da literatura Portuguesa atribuído desde 1989 e pela primeira vez a Miguel Torga.

Porém, como somos ignorantes, foi apenas pela mão do nosso amigo Filipe Palma, do Algarve, que ficámos hoje a saber que a cerimónia de entrega do Prémio ao escritor decorrerá hoje, 17 de Fevereiro, na cidade de S. Paulo, conforme a noticia da RTP AQUI. 

Pode-se não saber absolutamente nada sobre Raduan, mas hoje qualquer barra de pesquisa devolve o essencial sobre este escritor. Um Homem nascido em 1935, descendente de libaneses, que escreveu apenas 3 livros e que logo no primeiro, que escreve aos 40 anos em 1975, "Lavoura Arcaica", consegue esculpir isto em Português:
"

" É egoísmo, próprio de imaturos, pensar só nos frutos, quando se planta; a colheita não é a melhor recompensa para quem semeia; já somos bastante gratificados pelo sentido de nossas vidas, quando plantamos, já temos nosso galardão só em fruir o tempo largo da gestação, já é um bem que transferimos, se transferimos a espera para gerações futuras, pois há um gozo intenso na própria fé, assim como há calor na quietude da ave que choca os ovos no seu ninho. E pode haver tanta vida na semente, e tanta fé nas mãos do semeador, que é um milagre sublime que grãos espalhados há milênios, embora sem germinar, ainda não morreram."

O livro foi recentemente editado em Portugal pela Companhia das Letras pelo que não deverá er difícil encontrá-lo!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

NASSTEC - 3º Encontro Anual em Córdoba


Decorreu em Córdoba, Espanha, na passada semana e de 1 a 3 de Fevereiro, o 3º Encontro anual da rede NASSTEC, um consórcio financiado por fundos europeus e que junta empresas produtoras de sementes silvestres europeias e 11 investigadores com o objectivo de desenvolver na Europa a produção de sementes de flora silvestre de qualidade. Um sector que urge desenvolver, sobretudo se comparado com a realidade dos EUA e que  terá de dar resposta a uma procura que crescerá substancialmente nos próximos anos.

Organizado pela Semilllas Silvestres, empresa de referencia na península ibérica, que conta com 25 anos de experiência e que desde sempre tem sido inspiradora do nosso próprio projecto, tivemos o privilégio de assistir às conferências públicas que decorreram no dia 2 e durante as quais podemos contactar com as inúmeras iniciativas que, numa perspectiva multidisciplinar, requerem a utilização de sementes de flora silvestre de qualidade.

Dos diversos trabalhos apresentados salientamos  o apresentado por J.Cortina, da Universidade de Alicante, só o "uso de espécies nativas na recuperação ecológica em clima mediterranico"; O projecto Life "Olivais Vivos", liderado pela Sociedade Espanhola de Ornitologia, e que na Andaluzia procura recuperar os cobertos vegetais dos extensos olivais com o objectivo de aumentar a sua bio-diversidade; Os projectos de arquitectura paisagística utilizando prados de flores silvestres e, por fim uma interessante apresentação de Lorena Escuer, da empresa Hidrobiology sobre o controlo de pragas em espaços verdes recorrendo aos insectos auxiliares bem como à flora silvestre que a eles é necessária. Uma alternativa que se impõe com urgência face à crescente necessidade, e imediata - diriamos nós,  de  eliminar o uso de pesticidas.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Recomeçar depois dos Incêndios em Monchique


Pode não se acreditar mas foi apenas há cerca de 5 meses, no início de Setembro de 2016, que um violento incêndio deflagrou em Monchique destruindo perto de 4000 hectares de "floresta". Um incêndio de origem claramente criminosa mas que só ganhou aquelas proporções pela abusiva monocultura do eucalipto de que aquela serra padece. Nada que não se saiba há muito, mas ainda assim uma tragédia insuficiente para arrepiar o caminho seguido nas últimas décadas.

Depois de, a quente e  no rescaldo dos fogos, mais um lote de promessas nos ter sido feito de que era desta que a floresta portuguesa iria ser gerida estrategicamente, ainda muito recentemente governo e industria exibiam a sua sintonia nas politicas necessárias para fazer crescer o sector o que, fruto da generosa pluviosidade que ali ocorre, condenam a serra de Monchique a ser considerada uma área de elevada produtividade. Uma industria que, bem apoiada, continua a sua campanha de teor "ecológico" para nos convencer de que não há razão absolutamente nenhuma para Portugal ter uma área tão grande de" matos improdutivos".

Dito isto e esclarecidos que estamos sobre a nossa frágil memoria e de como serão, infelizmente, os Verões dos próximos anos em boa parte do país, vamos ao que interessa!

E o que interessa é que, apesar de tudo, continua a haver a possibilidade de não baixar braços, de não desistir e de recomeçar! O projecto Futuro no Porto e a renaturalização do geo-sítio das arribas fosseis da praia do Telheiro, de que escrevemos AQUI e AQUI são exemplo disso, Porém, dos muitos exemplos que certamente estão a acontecer, muitos dos quais nem sequer conhecemos, um, que nos enche de orgulho por com ele colaborarmos, é o que um casal de humanos estão a fazer em 2,5 hectares de terraços da serra de Monchique.

Depois de conhecerem uma parte significativa do mundo e de terem vivido em diferentes países, foi em Monchique que há alguns anos atrás o Rustom e a Tamasin decidiram viver e, a partir daqui, desenvolver um pequeno negócio de comercialização de mel português para o mundo  inteiro: Wild About Honey! Poderiam ter escolhido outro sítio  -  e é bem possível que existam centenas de sítios em todo o Mediterrâneo igualmente  agradáveis para viver, mas foi ali que escolheram viver. Ou, se preferirmos, foi ali que a terra os escolheu e lhes pediu para ficar.

É que para nós, o mérito é  todo daquela serra, que depois de tão maltratada percebe claramente que, não conseguindo expulsar quem a explora, precisa  urgentemente de seduzir e reter gente que a possa ajudar. 

Depois dos incêndios de Setembro passado, o Rustom e a Tamasin poderiam simplesmente ter escolhido partir, até porque nem são proprietários daquele espaço. Seria muito mais fácil e certamente muito menos trabalhoso e frustrante. Mas não. Decidiram recomeçar e estão desde então de mangas arregaçadas e ao seu ritmo a procurar devolver novas e brilhantes Primaveras aqueles 2,5 hectares de terraços. 

Para nossa grande satisfação temos o privilégio de poder colaborar com eles no  seu repovoamento, tendo fornecido misturas de sementes de flores e arbustos silvestres, muitas delas colhidas naquela mesma região nos meses que antecederam os incêndios.

Porém, o que verdadeiramente nos deixa mesmo felizes é ver que na hora de gostar desta terra, a nacionalidade inscrita no cartão de identificação é totalmente irrelevante! 

Ao Rustom e à Tamasin o nosso obrigado por ficarem e persistirem nesta terra que é obviamente vossa!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Engendrar Primaveras em Vila do Bispo


Quem nos acompanha ultimamente poderá ser tentado a pensar que só no Porto e na sua área metropolitana se está a plantar e a semear neste Inverno de 2017. É um facto que é aí que,possivelmente,  está em execução a politica mais consistente em matéria de recuperação de espaços verdes com flora nativa, mas felizmente há mais exemplos no nosso país de pessoas que sabem que é no frio e na chuva do Inverno que se engendra uma boa Primavera.

E um desses outros sítios onde isso está a acontecer aqui e agora, e no qual também temos o privilégio de poder colaborar, é em Vila do Bispo, na arriba fóssil do Telheiro em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina.

Pior do que errar é nada fazer para corrigir e é isso que a Câmara Municipal de Vila do Bispo, depois de uma intervenção menos feliz, está a fazer em conjunto com os cidadãos que fazem parte do Grupo de defesa do Telheiro: Recuperar o coberto vegetal das arribas fósseis do que é um dos mais importantes geo-sitios do nosso país. Para que também naquela parte da nossa costa, qualquer um de nós possa usufruir de muitas Primaveras floridas como só a Costa Vicentina sabe proporcionar. 

E tem tudo para dar certo. Este é um projecto em que além da autarquia e de um grupo de cidadãos empenhado foram envolvidas outras pessoas e instituições. Como o ICNF, a LPN, a associação A ROCHA, o  GEOTA e o Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves”, que com a participação Alberto Pietrogrande e  Carlo Bifulco, técnicos italianos de planeamento do território que aportam ao projecto a sua experiência em técnicas de engenharia natural na recuperação paisagística.

Os trabalhos de sementeira e plantações decorrerão ainda durante o mês de Fevereiro e quem quiser colaborar de forma voluntária  participar neste projecto de engenharia natural pode inscrever-se através do  email: proteger.telheiro@gmail.com. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Uma Árvore para si. No Porto


No nosso último post, de 5 de Janeiro, partilhámos um pequenos texto sobre "O Homem que plantava árvores" de Jean Giono, um conto inspirador que é hoje um clássico da literatura europeia. Embora na nossa perspectiva a sua mensagem implícita vá muito além da leitura literal, esta por si só é mais do que suficiente! É na nobreza do acto de plantar, semear e persistir, que pode nortear a condição humana e de qualquer um de nós, que está o cerne da história.

E se por vezes temos a sensação de viver numa realidade crescentemente cínica, convém não desesperar e conseguir ver o que, se deixarmos, nos pode entrar pelos olhos dentro. A verdade é que neste preciso momento, aqui e agora, há pessoas ocupadas a plantar, a semear e a persistir!

O projecto Futuro:100.000 Árvores, do qual somos parceiros, em conjunto com a Câmara Municipal do Porto, são algumas dessas "pessoas" que nos enchem de satisfação por com eles podermos colaborar.

A iniciativa "Se tem um jardim.. Temos uma árvore para si" pretende proporcionar, pelo segundo ano, a todos os munícipes do Porto que tenham um jardim ou quintal a possibilidade de plantarem um Árvore oriunda dos viveiros municipais cedidos pela CMP ao projecto Futuro. O objectivo: Apoiar os portuenses que têm jardim ou quintal a plantar árvores ou arbustos nos seus espaços, num esforço conjunto que quer afirmar definitivamente o Porto como uma cidade mais verde e mais sustentável.

Todos os residentes, empresas  e organizações que sejam legítimos proprietários ou gestores de um pequeno jardim ou quintal – no concelho do Porto – que possua condições para receber uma ou várias árvores, podem candidatar-se até 10 àrvores ou arbustos a escolher entre 10 espécies como o azevinho,  a murta, o loureiro ou a bétula.

Mas quem não tiver um quintal ou um jardim não fica de fora e este ano, além de espécimes prontos a plantar, a iniciativa foi alargada a quem tem apenas um pequeno canteiro ou uma varanda, sendo disponibilizadas gratuitamente sementes de 5 espécies autóctones: rosmaninho, alecrim, papoilas, borragem e erva-de-S.-Joao!

As inscrições podem e devem ser ser feitas AQUI até dia 5 de Fevereiro!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O Homem que plantava Árvores


(versão dobrada em português; versão original em Francês, legendada em português, AQUI)

Os inícios de ano são sempre momentos propícios  a decisões de mudança e, qualquer que seja a profundidade que se pretender alcançar na mesma, não faltam hoje nas redes sociais milhares de posts inspiradores. Mas há alguns que, estando nós dispostos a ceder-lhe os minutos necessários, valem por muitos e contêm em si uma perspectiva de acção que pode nortear uma vida inteira.

E vem este nosso post, que esperemos possa ter a frescura da novidade para alguns que o lerão pela primeira vez, a propósito de um outro post publicado pelo Paulo Araújo do blogue Dias com Árvores no final de 2016, AQUI., partilhando um excelente texto que, na nossa opinião, é de leitura obrigatória para quem este ano quer por as mãos na terra e começar a plantar as  árvores certas nos sítios certos.

É um facto que somos seguidores apaixonados do Dias com Árvores desde o seu início em, imagine-se, 2004. Aliás, como costumamos brincar, se o nosso gosto pela botânica é filho deste blogue, o nosso projecto dedicado às sementes da flora autóctone e silvestre do nosso país, é seguramente seu neto! Com a vantagem que só a blogoesfera consegue ostentar, são 12 anos de publicações disponíveis para todos os que pela sua mão quiserem beneficiar do conhecimento generosamente partilhado pelo Paulo Araújo e a Maria Carvalho. Que, com a paixão que só os amadores conseguem ter, são inquestionavelmente os maiores e mais competentes  divulgadores de botânica que temos entre nós.

E se há muitos textos que merecem ser lidos, este é inquestionavelmente um deles. Um texto escrito para ser o posfácio de uma edição ilustrada do conto "O Homem que plantava àrvores" de Jean Giono, e que se dedica dar pistas sobre quais as melhores espécies de árvores, com um especial enfoque nos carvalhos, que cada um de nós pode plantar  consoante a região do nosso país. É que esta é uma das questões fulcrais para todos aqueles que querem começar e não sabem por onde. Não é uma ciência esotérica, nem precisa da intervenção de nenhum especialista, mas exige cuidados que são preciosos para evitar o que muitas vezes acontece e que é reconhecer, ao fim de alguns anos, que se pôs a Árvore errada no sítio errado.

Mas se este posfácio é de leitura recomendada, o conto que lhe está por detrás não o é menos. Tido por muitos como um dos clássicos incontornáveis da literatura europeia do século XX, O Homem que plantava árvores - cujo filme de animação, de Fréderic Back, que partilhamos em cima, foi ganhadora do Óscar de melhor animação em 1988 e que é também ele de visionamento obrigatório, conta a historia de Elzéard Bouffier, um velho pastor que nos primeiros anos do Séc. XX plantou por sua iniciativa uma floresta numa região inóspita dos Alpes franceses.

Porém o que é notável e inspirador neste conto de Jean Giono ( 1895-1970) são os diferentes níveis de leitura que ele possibilita. Descrevendo a acção de um pastor solitário que sozinho criou um novo bosque, fervilhante de vida, o que por si só é uma obra maior, o autor remete-nos subtilmente para as infinitas possibilidades da condição humana e que cada um de nós tem, por mais adverso que seja o contexto: O de recomeçar e persistir com esperança na mudança que queremos para cada um de nós e em nosso redor.

Como escreve e bem Jean Gioto "Os homens podem ser tão eficientes quanto Deus em tarefas que não seja destruir".

Que, na sua medida, este post possa inspirar um auspicioso 2017 para todos os que nos seguem são os nossos votos!